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segunda-feira, 26 de julho de 2010

Radiografias periapicais prévias ao tratamento ortodôntico


Texto de Alberto Consolaro

As reabsorções dentárias, no mundo ocidental, têm uma prevalência entre 6 e 10% dentre as pessoas que nunca realizaram qualquer tipo de tratamento ortodôntico. Em termos clínicos, isto pode ser assim traduzido: em cada 100 pacientes ortodônticos, 6 a 10 têm reabsorções dentárias em um ou mais dentes, podendo gerar problemas durante o tratamento.

As radiografias periapicais são as mais indicadas para o diagnóstico de alterações como fraturas radiculares, calcificações pulpares, metamorfose cálcica da polpa, cárie, periapicopatias e outras alterações exclusivas dos dentes, incluindo-se as reabsorções. Em outras palavras, no planejamento ortodôntico deve-se incluir a análise minuciosa de radiografias periapicais de todos os dentes. O objetivo é diagnosticar alterações dentárias pré-existentes não detectáveis pelas radiografias panorâmicas e assim evitar complicações durante o tratamento ortodôntico.
 
As radiografias periapicais de todos os dentes antes do tratamento ortodôntico representam, em seu conjunto, uma das formas mais eficientes de prevenir-se de problemas associados às reabsorões dentárias durante o tratamento ortodôntico. As radiografias prévias ao tratamento ortodôntico não devem se restringir aos incisivos superiores e inferiores, pois estes não podem servir de referência para o diagnóstico de ocorrência, e nem de severidade, das reabsorções nos demais dentes.

Há a algum tempo atrás, eram comuns afirmações como: se houver uma percepção de algum problema em alguns dentes ou regiões nas radiografias panorâmicas, solicita-se então radiografias periapicais dos dentes suspeitos. Nas radiografias panorâmicas, porém, não é possível detectar imagens ou percepções de reabsorções dentárias pequenas e médias.

Estas abordagens são muito importantes para evitar perdas dentárias durante e após o tratamento ortodôntico, decorrentes de reabsorções internas, reabsorções por substituição, reabsorções cervicais externas e outras que já pré-existiam. As radiografias periapicais no planejamento ortodôntico evitam que diagnósticos não realizados adequada e previamente possam ser a causa de condenações processuais de ortodontistas. O diagnóstico prévio ao tratamento ortodôntico de problemas bucais e dentários é responsabilidade de qualquer profissional da área odontológica.
 
Em forma de insight algumas perguntas ficam sem respostas e podem induzir reflexões para novas pesquisas e abordagens sobre o tema:

1) Por que não há pesquisas de casuísticas ortodônticas comparando os tratamentos realizados e suas conseqüências, como as reabsorções radiculares, sem e com a obtenção e análise de radiografias periapicais prévias em suas documentações?

2) Nos processos judiciais contra os ortodontistas, quantos casos estão relacionados com as reabsorções dentárias e, destas, quantas poderiam ser diagnosticadas por radiografias periapicais prévias e não o foram?


3) Em casuísticas ortodônticas exclusivamente com radiografias panorâmicas e em outras com radiografias periapicais prévias, qual foi a prevalência das reabsorções dentárias detectadas previamente?

4) Quais as implicações econômicas nas planilhas de custo do tratamento ortodôntico se as radiografias periapicais prévias forem adotadas como procedimento de rotina? Qual a relação custo-benefício para o paciente e para o profissional?

5) Quais razões os profissionais que não solicitam radiografias periapicais prévias alegam para não adotarem esta conduta:
a) Falta de conhecimento de suas vantagens?
b) Receio de que o aumento de custo da documentação iniba a realização do tratamento ortodôntico por parte do paciente?
c) Falta de uma cultura profissional de prevenção em relação a processos judiciais?
d) Não aprenderam este procedimento em sua formação ortodôntica e mudar hábitos e cultura representa uma prática difícil?

Artigo publicado em: R Dental Press Ortodon Ortop Facial Maringá, v. 12, n. 4, p. 14-16, jul./ago. 2007.
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Autor: alberto@fob.usp.br.

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